quinta-feira, 5 de outubro de 2006

"A TALE OF TWO CITIES": UM NOVO MUNDO VEM AÍ

(MUITA ATENÇÃO: O texto abaixo falará do primeiro episódio da terceira temporada de "Lost", inédita na TV brasileira. Por isso, se você não o viu e não quiser ter sua surpresa estragada, clique aqui para vistar nosso site sobre a série.)

"Eu não acho você idiota. Eu acho você teimoso." (Juliet para Jack)

"Não importa quem éramos. Só importa quem somos." (Juliet)

"Eu fiz todas essas coisas boas para você ter algo para se apegar porque, Kate, as próximas duas semanas serão bem desagradáveis" (Ben - o ex-falso Henry Gale)

"Esqueça, Jack." (Christian)

"Não é quem ele é. É quem você não é." (Sarah)


Enfim, a estréia! "A Tale Of Two Cities" chegou à televisão americana - e, ainda bem, aos computadores do mundo todo! - cercado de expectativas. E expectativas são perigosas, porque elas atendem à nossa imaginação e não consideram a dos que vão nos contar a história.

E por isso mesmo já andei vendo que o episódio pode ter frustrado alguns que esperavam mais ação, mais revelações, mais ilha, mais "Lost" das duas primeiras temporadas. Só tenho a dizer uma coisa: achei "A Tale Of Two Cities" simplesmente excelente, sobretudo porque pouco, muito pouco teve a ver com nossas expectativas, sendo 100% de acordo com o que vinha sido anunciado pelos roteiristas em relação à terceira temporada:

Estamos entrando em um mundo novo.

Um mundo que começou a ser revelado na espetacular introdução, começando ao som da ótima "Downtown", mostrando a vida pacata de pessoas inofensivas sendo abalada por um desastre. Caras conhecidas - Ethan, Goodwin e o falso Henry - numa situação completamente nova, num vilarejo totalmente diferente inserido num local muito familia.

Bolinhos queimados no forno, rodas de leitura, conserto de encanamentos: assim era a vida dos temíveis Outros antes do acidente com o vôo 815. E, passados alguns meses da queda do avião, parece que agora eles querem introduzir mais três pessoas em sua restrita e estranha sociedade.

O "condicionamento" de Kate (tratada como uma dama) e de Sawyer (quase como um urso com sotaque sulista) à sua nova realidade deverá ser bem diferente do que será feito com Jack. Os Outros devem ter planos maiores e mais certeiros para o médico. A vida do Jack está num dossiê nas mãos da astuta e intrigante Juliet - aliás, forte também: que soco é aquele que nocautear o cara de uma vez só, hein?

(Aliás, antes de prosseguir, pelo jeito Juliet e Ben já tiveram um envolvimentozinho... Não?)

Enfim, depois de "A Tale Of Two Cities", já dá para ter uma certeza a respeito dos Outros: eles realmente sabem de TUDO a respeito da vida dos sobreviventes do vôo 815. TUDO.

E como eles descobrem tudo? Fico até meio zonzo em pensar em tantas alternativas: o monstro de fumaça que parece ter "escaneado" a mente de Eko é uma. A estranha coleta de sangue é outra - vai que a Dharma desenvolveu um megabanco de dados em que não há impressões digitais, mas registros de DNA?

Uma coisa é certa: o vôo 815 caiu naquela ilha por um motivo. E não, não foi por acaso. Aquelas pessoas não estão lá por mera fatalidade.

Todos que estavam no avião da Oceanic Airlines foram vigiados antes de estarem nele. Uma vez na ilha, continuaram sob os olhares dos Outros. E até suas vidas no "mundo exterior" ainda parecem estar sendo vigiadas, pelo comentário de Juliet sobre Sarah. Ou melhor: isso na verdade não deve ter passado de uma mentira pregada por ela para tornar Jack ainda mais suscetível à manipulação dos Outros, pois repito: há planos maiores para Jack.

Então você pergunta: por isso o flashback do médico? Sim. E houve outra intenção ao mostrar mais um trecho do passado dele, em que ele esteve enganado o tempo todo a respeito da traição protagonizada por seu próprio pai? Na minha opinião, mais duas:

- Jack não agüenta não ter o controle da situação - e ele agora o perdeu totalmente;
- Jack precisa aprender a lidar com isso. Precisa aprender a esquecer e fazer calar as expectativas, boas ou ruins - e Christian, Sarah, Ben e Juliet deixaram isso muito claro.

A ilha não é só a nova casa dos sobreviventes do vôo 815. Antes disso, grande parte dela era simplesmente o quintal de um subúrbio americano reproduzido no coração da selva. O acidente fez a divisão; e agora, como o título do episódio deixa bem claro, "Lost" é um conto de duas cidades.

Estamos entrando em um mundo novo.

Fonte: Lost In Lost - Por Carlos Alexandre Monteiro

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