"Se você sossegar, eu paro de te perseguir. Mas nós dois sabemos que isso não vai acontecer, não?" (Edward Mars para Kate)
"Eu fiz uma pequena incisão no rim de Ben. Se eu não costurar isso logo, ele estará morto" (Jack)
"Eu te amo" (Sawyer)
Com a cara da terceira temporada - ou seria, "pré-terceira temporada"? Assim eu vejo "I Do", o derradeiro episódio do ano - e do que os próprios autores de "Lost" disseram ser uma minitemporada da série. E vou contra a opinião contrariada e revoltada da maioria dos fãs que li até agora.
Não são poucos os que estão dizendo estar frustrados e até irritados com o que viram, chamando os autores de mentirosos por terem prometido um gancho que não veio.
Pois eu não só gostei de "I Do" como afirmo que os ganchos - isso, no plural! - foram cumpridos sim. Vamos às justificativas...
Você lembra que, no meu comentário sobre "A Tale Of Two Cities", eu dizia ser uma nova série, né? Pois é. Pelo menos nesses seis episódios, tivemos um foco ainda mais especial nas personalidades dos personagens. Vimos mudanças sérias, sendo que pelo menos três delas surgiram em "I Do".
Jack Shephard. Em duas temporadas, aprendemos que o doutor dos sobreviventes era um profissional tão dedicado, comprometido com o ato de salvar vidas e com a ética que rege a sua carreira que fez o pai perder o emprego por operar bêbado. Um médico que superava os limites da sanidade para tentar vencer a morte, a ponto de Boone ter precisado pedir a Jack para que o deixasse morrer em paz.
Jack Shephard, sexto episódio, terceira temporada. Um homem de bisturi na mão, que usou para dar um corte possivelmente fatal no rim de seu mais novo paciente - o mesmo sujeito que, na segunda temporada, ele pediu a Sayid que parasse de dar uns socos. Jack pode matar.
James "Sawyer" Ford. Um trambiqueiro de marca maior que faz a maior questão de esconder todo e qualquer sentimento bom. Um apreciador do mau-caratismo que tinha como lema-mor a frase "Um tigre não muda suas listras".
James "Sawyer" Ford, sexto episódio, terceira temporada. "Kate, eu te amo".
Peraí: declaração de amor de Sawyer e Jack matando um indefeso e sedado paciente? Para mim, estes são sim dois ganchos, e dos melhores. Como Jack, Kate e Sawyer vão lidar com esses novos aspectos de suas personalidades daqui para frente? Ben pode estar vulnerável e à beira da morte, mas Jack tem pela frente Tom, o enfurecido ogro Pickett e até mesmo a cerebral Juliet como inimigos - e a loira, cordial e amável com o médico, está na lista negra do doutor. Além de não confiar em nenhum dos Outros, Jack quer também distância de Sawyer, que aparentemente não está em seus planos de fuga.
Por sua vez, Sawyer baixou a guarda pra valer. Foi pego pra Cristo dos Outros, tomou porradas mil, sofreu terror psicológico... E depois de tudo, acabou amolecendo ao ponto de dizer a Kate - a mesma pra quem disse sua frase favorita em "The Long Con" - que a amava.
Aliás, a própria Kate também mudou. Da mulher que mostra em seu passado ser incapaz de se livrar do desejo de fugir, nem mesmo tendo uma nova vida estabelecida ao lado do marido Kevin à pessoa que continua abrindo jaulas e escapando de grades mas que não consegue ficar longe de outros seqüestrados.
Vale destacar um ponto muito interessante, levantado por uma amiga minha numa conversa: apesar de Kate ter mostrado um certo alívio ao falar sobre o resultado negativo de seu teste de gravidez, talvez um filho fosse a única coisa capaz de fazer com que ela abandonasse a vida de escapadas. E fica a dúvida: será que, na verdade, o choro dela no banheiro não foi de frustração?
Na verdade, o que importa mesmo é que a "pré-terceira temporada" se foi, deixando transformações fortes em dois incríveis personagens, abrindo nossa curiosidade para saber como Jack e Sawyer serão Jack e Sawyer a partir da - enfim - terceira temporada.
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Além das mudanças acima, outro mito caiu em "I Do": o de que Ben ocupava o mais alto posto na hierarquia dos Outros. Nada disso: o nome do chefão da vez é Jacob - por sinal, mais um nome bíblico.
E o desafio maior é: será que os autores conseguirão para o seu papel algum ator mais incrível do que Michael "Ben" Emerson?
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Lindo o funeral feito para mister Eko, no discurso forte do ídolo John Locke - que, por sinal, ganhou do nigeriano em forma de inscrição no bastão um novo enigma para decifrar: "Erga seus olhos e olhe para o Norte".
Some um homem de tapa-olho a uma inscrição enigmática. Pronto: já temos a nova aventura de Locke.
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Mais sobre "I Do":
* A bela música "Slowly", de Ann-Margaret, ouvida logo no comecinho do episódio;
* E ver a linda Kate vestida de noiva foi sensacional...
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Fonte: Lost In Lost - Por Carlos Alexandre Monteiro
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