quinta-feira, 26 de abril de 2007

"D.O.C." - A ERA DA DESCONFIANÇA

(Com SPOILERS! para quem não viu o 18º episódio da terceira temporada)



- "Nós não vivemos em um mundo sem perguntas" (Sr. Paik)
- "Nós todos cometemos erros" (Juliet)
- "Eu sempre vou tomar conta de você, Sun" (Jin)
- “Eu não estou só” (Paraquedista)
- “Você me deu boas notícias, Juliet” (Sun)
- "Vôo 815. Eles encontraram o avião. Não houve sobreviventes. Estão todos mortos" (Paraquedista)


Antes de começar, repita comigo, com toda a fé e convicção do mundo: eles não estão mortos. Eles não estão mortos. Eles não estão mortos.

Pronto. A verdade, dita tantas vezes e confirmadíssima pelos produtores é essa: eles não estão mortos. Certo?





Um mistério cai, outro mistério surge - e, claro, maior ainda. É assim a lei do "toma lá, dá cá" em "Lost": em um episódio dividido em duas situações, ao mesmo tempo em que descobrimos a paternidade do filho de Sun, soubemos também de uma novidade bombástica sobre o vôo 815 - desta vez, fora da ilha. Mas primeiro vamos falar da história dos coreanos.

No fim da primeira temporada, há um diálogo curioso entre Sun e Shannon, em que a coreana cogita que eles estariam sendo punidos pelos erros cometidos no passado. Na conversa, ela falou que o responsável por esse castigo seria o destino. Tempos depois, por motivos bem diferentes, Sun confessou a Juliet sua traição, e a vimos também dizer que perderia das duas formas: se o bebê fosse de Jin, morreria; se não, teria o desgosto de um filho nascido de um deslize - um erro, em suas próprias palavras.





Dentre as duas trágicas opções, a da morte por ter um filho de seu marido acabou deixando a coreana aliviada. Diante de sua crença num sistema em que somos julgados por nossos atos, talvez ela tenha entendido que, se é para ser punida, melhor sabendo que foi através de um filho do homem que ama. E assim, Sun transformou o medo da morte em felicidade pelas "boas notícias". Justo, em se tratando de uma série em que muitas pessoas morrem depois de se redimirem de seus erros.

De Sun para a mulher que caiu do céu - com trocadilhos. Em seu primeiro momento de lucidez, a paraquedista trouxe a retumbante revelação de um outro vôo 815, cujos passageiros foram encontrados mortos. Aí, abrimos a possibilidade que parece louca para se afirmar na série: a de que há universos paralelos se cruzando em "Lost".





Como não penso na chance de a paraquedista ser uma dos Outros, digo: ou a existência de universos paralelos é a grande explicação para o que foi dito por ela, ou temos uma conspiração a caminho - que, caso se confirme, é a prova irrefutável de que o vôo 815 não caiu na ilha por acaso. E a bordo dessa notícia, novos mitos vão caindo, a começar pela idéia de que a pesquisa sobre os passageiros do avião da Oceanic se iniciou com Bakunin.

Agora, adicione todos esses elementos a Jack e Locke e suas vivências em períodos diferentes ao lado dos Outros, à Juliet e seu plano claramente voltado para a sua pesquisa com mulheres e perceba: o verbo confiar está cada vez mais difícil de ser conjugado naquela ilha.



* * *

A ingenuidade de Hurley se manifestou em "D.O.C." em duas oportunidades bem distintas: ao falar para Bakunin sobre o telefone e ao simular uma ligação para sua mãe.

Eu só falei de "duas oportunidades" porque, para mim, disparar um sinalizador acidentalmente naquela ilha não é um ato de inocência - ou ao menos não deveria ser mais... até mesmo para Hurley.


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Jin no exército? A descoberta aumenta o número de ex-militares na ilha. E isso me chama a atenção, embora possivelmente não signifique nada. Aparentemente.


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Elizabeth Mitchell é sensacional.


* * *

Eu só acredito em que tivemos um ponto final nesta história da paternidade do filho de Sun porque os produtores garantiram que "D.O.C." nos daria a resposta definitiva. O porquê dessa minha quase-desconfiança? Na raspa do tacho.


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"Eu não estou só". Esta foi a outra grande revelação da paraquedista. Sobre ela - e muitas outras coisas também -, falo no podcast que vai ao ar amanhã. Ouça!

Fonte: Lost In Lost - Por Carlos Alexandre Monteiro

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