"Você se lembra de aniversários, não, Richard?" (Ben)
"É difícil comemorar o dia em que você matou sua mãe" (Roger Linus)
"Jacob fala comigo, John" (Ben)
"Esse não é um homem que você vai ver. Esse é um homem que te convoca (Ben)"
"O que foi aquilo?" (Locke)
"Aquilo foi Jacob" (Ben)
"Você terá que ser muito paciente" (Richard Alpert)
"Desde que eu me lembre, eu tive que te engolir. E isso me exigiu muita paciência" (Ben para Roger)
"Por que você fez isso?" (Locke)
"Porque você o escutou" (Ben)
"Me ajude" (Jacob)
Quando um estranho homem surgiu pendurado numa armadilha de Rousseau se dizendo um tal Henry Gale de Minnesota, fomos apresentados a um enigma de carne e osso. Henry Gale, ex-Henry Gale, Benjamin Linus, líder dos Outros. Um sujeito que se anunciou um cara bom diante de Michael, crente em Deus diante de Jack, e um embaixador das vontades da ilha a Locke. Rótulos, rótulos, rótulos de uma caixa que não se permitia abrir - não ao menos até esse 20º episódio.
A chance de conhecer esse mistério chamado Ben chegou até nós ao mesmo tempo em que outra história desconhecida começou a ser de fato descoberta: a da Dharma Initiative. Duas trajetórias que se cruzaram, mas que nunca foram de fato únicas. O projeto de harmonia coletiva proposto pela iniciativa de Alvar Hanso era complicado demais para um garoto cujos propósitos de paz, amor e "namastê" nunca foram encontrados em seu próprio lar e em sua relação com o pai, Roger.
Alcoólatra, prematuramente viúvo, frustrado no trabalho, o problemático Roger conseguiu descarregar todo o seu fracasso moldado em culpa nos ombros de Ben. O aniversário do menino parecia servir apenas como o marco de uma relação destruída. Não havia como Ben ter qualquer tipo de conexão ou simpatia em relação ao ideal Dharma, apesar dos esforços da doce Annie.
A primeira real comunhhão familiar que Ben encontrou foi também a que de fato estabeleceu sua comunhão com a ilha: sua mãe morta - primeiro, um vulto na janela; depois, do outro lado da cerca. Um convite que se confirmaria no encontro com Richard Alpert, no evento que mudaria a sua vida.
As experiências ao lado dos hostis - sabe-se lá quais foram. Saberemos um dia? espero! -, aliadas ao tormento da culpa selaram o destino trágico de Roger, o fim da Dharma e a ascensão de um psicopata, cujas experiências mais cruéis de sua vida já nos eram sugeridas sem que soubéssemos. Afinal, a história de Ben se antecipava a nós tanto na obsessão de Ben por curar as grávidas da ilha quanto na necessidade de ver Locke matar seu próprio pai para ter acesso a um nível superior de conhecimento.
A jornada com o caçador foi aceita em nome de uma possível retomada de uma conexão perdida com a ilha. Não é de se estranhar que Ben tenha perdido progressivamente os laços com o local - até porque esta sua ligação surgiu de forma pura, através da necessidade de um menino de ter sua mãe perto de si. Não há mais traço daquele desejo de amor no Ben que conduziu Locke até Jacob - portanto, não há razão para que os laços entre Ben e a ilha estejam fortes e vivos.
E o que é Jacob afinal? Que manifestação é essa que, venerada, temida, poderosa, pede ajuda a Locke? Se Jacob é a declaração dos desejos da ilha, se Jacob é o porta-voz de uma força superior que age constantemente naquele local, abençoando, provendo mas também punindo, ou se de fato é essa força, certamente sabe que Locke e Ben diferem na essência. E a relação de respeito e comunhão do caçador com aquele local, e o contato em que a força todo-poderosa da ilha pede ajuda a Locke para reestabelecer a harmonia perdida assutam Ben. Fazem Ben sentir inveja. Amedrontam Ben. Convidam Ben a reagir. E vem o tiro.
A imagem de Locke junto aos corpos Dharma é cheia de simbolismos. O ex-paraplégico ali, cercado de pessoas que queriam em paz entender melhor a ilha, e que buscavam a comunhão vivida por Locke e um entendimento que ele também tanto queria encontrar. O pedido de Jacob pode revelar que a jornada de Locke não deve acabar desse jeito - e também, que a de Ben não pode prorrogar-se desta forma.
Locke precisa de Jacob. Jacob, de Locke. É preciso um pequeno milagre para que o maior possa acontecer. E por mais que Ben não mais tenha ouvidos de ouvir, não há dúvidas: a ilha não se cala.
* * *
Só para dar um gostinho - e atendendo a pedidos -, a imagem de Jacob, surgida aos 31m54s de episódio:
E no podcast amanhã, mais Jacob, mais Alpert, mais Ben, mais Locke, mais Dharma... mais "The Man Behind the Curtain" amanhã no podcast. Ah, e mais imagens deste incrível episódio no post também. Vai perder?
Fonte: Lost In Lost - Por Carlos Alexandre Monteiro
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