sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

"CONFIRMED DEAD" - OS CAÇADORES DA VERDADE

(Com SPOILERS! para quem ainda não viu o segundo episódio da quarta temporada)


"Lembre-o de que pessoas no nosso tipo de trabalho são péssimas em manter segredo" (Charlotte)

"Como exatamente sabe tudo isso sobre o capitão Norris?" (supervisor da Oceanic)

"Porque eu deveria ter pilotado o vôo 815!" (Frank Lapidus)

"Devo dizer que resgatar vocês não é nosso objetivo primário (Faraday)

"Estamos aqui por Benjamin Linus!" (Miles)

"Eles me querem." (Ben)


"Esta é uma operação secreta de risco em um território instável. Já é incerta o suficiente sem ter que pajear um louco, um caça-fantasmas, uma antropóloga e um bêbado. (...) Mas e se houver sobreviventes do vôo 815?" (Naomi)

"Não há sobreviventes do vôo 815. Não faça perguntas, só faça o que foi contratada para fazer. Cada membro desta equipe foi contratado por um motivo específico" (Matthew Abbadon)

"Eu tenho respostas." (Ben)







Daniel Faraday, físico; Miles Straume, médium; Charlotte Staples Lewis, antropóloga; Frank Lapidus, piloto. Mais do que necessária para entendermos a importância dos quatro novos - e sensacionais - personagens de "Lost", a apresentação deles nos deu o indício de que, enfim, deveremos começar a ter algumas respostas para o maior dos mistérios de "Lost": o que é a ilha, afinal?

Se Daniel Faraday conhecesse a ilha como nós, telespectadores, diria que ela é um lugar de fenômenos naturais intrincados. Uma terra de propriedades incomuns, de chuvas repentinas, de marés que sobem bruscamente; de bússolas enlouquecidas por uma estranha e ímpar instabilidade eletromagnética, causando acidentes misteriosos; de curas improváveis e de pessoas que parecem desafiar o envelhecimento, e que não aceitam ser escravizadas pelo tempo e pelo espaço; e, como descobrimos agora, um lugar em que a luz se propaga de um jeito muito peculiar.





Miles Straume, por sua vez, teria outra definição. Ele certamente a consideraria uma terra de estranhas vibrações. De pessoas que surgem em lugares em que não deveriam estar; de sussurros originados por homens e mulheres invisíveis; de espíritos desencarnados ligados às pessoas que lá estão; de um monstro que lê os pensamentos e vivências alheias, e de uma entidade maior que parece saber de tudo o que acontece ali e governar o destino dos habitantes do local.

Charlotte Lewis iria preferir outro ponto de vista. Ela julgaria a ilha como uma terra desconhecida, de séculos de história; provavelmente habitada por civilizações antigas, capazes de erguer um templo e construir um monumental gigante de pedra de pés de quatro dedos; e palco do conflito de dois povos que guardam seus segredos e intenções com as próprias vidas.

E Frank Lapidus? O piloto não teria olhos para nenhuma das observações de seus três colegas. Para ele, a ilha seria simplesmente o verdadeiro e inacreditável destino do vôo 815. Ou melhor: o seu próprio destino, não alcançado por percalços ainda desconhecidos por nós, mas suficientemente fortes para torná-lo obcecado por todas as circunstâncias que envolveram aquela aeronave da Oceanic e seu fatídico destino.





As diferenças, os modos distintos de ver e entender as coisas e, sobretudo, a competência que exercem, cada um em seu campo, fizeram deles os escolhidos para uma missão com um objetivo que, se não é o de tentar decifrar a ilha, certamente é diretamente relacionado a este desafio; e todos os quatro sabem que as respostas que buscam passam por uma pessoa: Benjamin Linus.

E se Ben tem as soluções, Matthew Abbadon tem o caminho. O gélido e assombroso recrutador corporativo tem plena certeza do que deve procurar. Melhor: sabe onde procurar. Ele, que certamente é representante de gente muito poderosa - Widmore? -, sabe da localização da ilha; e, sem dúvidas, pelo menos desconfia de que o vôo 815 está na rota de sua expedição. E com sobreviventes.





Mesmo assim, Faraday, Charlotte, Miles e Lapidus não estão ali por Jack, Kate, Locke, e pelas vítimas da Oceanic: eles estão ali pela ilha. Seu discurso de salvação é ensaiado; e os avisos de Charlie e Walt fazem com que o mestre da dissimulação que é Benjamin Linus seja agraciado pelo benefício da dúvida.

Para nós, espectadores maravilhados e famintos por respostas, Faraday, Miles, Charlotte e Lapidus representam a chance de chegarmos às verdades que buscamos por tanto tempo; mas, vendo a alegria pela iminência de um resgate sendo convertida na angústia de Hurley e Jack no futuro, tomamos ciência de uma outra realidade, em diferentes sentidos, que começa a emergir para os que lá estavam antes da chegada do quarteto: a de que, na trama de "Lost", o conhecimento pode se tornar a maior das ameaças.

* * *


O choro de Faraday, a descoberta de Charlotte, o dom de Miles, a louca lucidez de Lapidus, a mentira de Naomi, o espião de Ben. Esses e outros tantos assuntos no podcast #54, aqui no blog na segunda-feira. Namastê!

Fonte: Lost In Lost - Por Carlos Alexandre Monteiro

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