sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

EGGTOWN - OCEANIC ONE

(Com SPOILERS! para quem não viu o quarto episódio da quarta temporada)


"Você quer que isso seja a meu respeito, ou sobre o meu caráter, tudo bem; mas você não irá usar meu filho" (Kate)

"A última coisa em que pensei ser boa era no papel de mãe. Sabe, você deveria tentar um dia" (Claire para Kate)

"Sabe, Jack, eu já ouvi você contar essa história tantas vezes que acho que você está começando a acreditar nela" (Kate)

"Eu sei por que você não quer ver o bebê, Jack. Mas até você querer, não haverá nós dois saindo para tomar café" (Kate)

"Oi, Aaron" (Kate)





Chega de escapadas. Chega de incertezas, de nomes falsos e de uma vida fora da lei. Kate, quem diria, cansou de fugir - e mergulhou na incerteza de um resgate que, como Sawyer já havia antecipado há um episódio, poderia ser para ela justamente o oposto de um futuro de liberdade.

Mesmo assim, a sardenta resolveu pagar para ver; e em um primeiro momento, para nós, se ela conseguiu a liberdade, também acabou se tornando aquela mulher insensível aos pedidos de um Jack desesperado para voltar à ilha - uma atitude que, naquele instante, poderia ser justificada tanto pelo bem-estar que ela experimentava quanto pelo compromisso com um certo alguém cuja identidade ignoramos por muito tempo.

"Você está pronta para isso?", ela ouviu de seu advogado, antes do percurso que a levaria ao banco dos réus. Como não estar? A dona de um dos rostos mais conhecidos da América não tinha mais como fugir - e, repetindo, nem queria. Afinal, maior que a impossibilidade da fuga por sua fama, havia um motivo maior que a impedia disso: um filho. Justamente o assunto mais mal resolvido da vida de Kate, grande prova da inconstância que sempre a caracterizou. Até "Eggtown", Kate sempre fugiu, tanto dos lugares quanto dos sentimentos e opiniões. Até "Eggtown".

E que reviravolta. Vejam vocês: quando vi Kate embalar o filho de outra mulher em seus braços, tomando-o como seu, tive a plena certeza de que a liberdade por ela ansiada nada tinha a ver consigo, assim como o "não" dito a Jack no fim da terceira temporada. Sim, ela não quer ir para a ilha, mas não por estar impedida disso; e muito menos por conta de um egoísmo seu que, confessemos, pensamos ter sido a causa da recusa dela para o retorno ao local.





Agora sabemos: Kate não quer voltar para lá porque não sente a culpa que o médico parece querer exterminar. Se Jack quer ir em busca de um ato de heroísmo em relação à história vivida por eles na ilha, o de Kate já está sendo realizado. E se no fim de "Through the Looking Glass" Jack era o angustiado/arrependido em busca de redenção e Kate a egoísta/conformada, em "Eggtown" Kate é a desapegada, e Jack, um homem que foi incapaz de assumir para si um compromisso que, por laços familiares, deveria ser seu.

Claire morreu? Ou continua viva mas, num gesto extremamente maternal, deu o filho à outra para salvá-lo? Seja qual for a explicação, não importa: no fim das contas, Jack de certa forma não mentiu no tribunal ao chamá-la de heroína.





E no abraço de Kate e Aaron, "Lost" nos serviu mais uma ironia: no futuro, de todos os que já sabemos ter sido resgatados, foi a ex-nômade que achou o seu lugar.


* * *


Ben e Locke. Ben e Miles. Sawyer e Kate. Charlotte e Faraday. Desmond e Sayid. Kate e Claire. Eles e muito mais no podcast Lost in Lost #56, que vem nesta segunda-feira. Namastê!

Fonte: Lost In Lost - Por Carlos Alexandre Monteiro

Nenhum comentário: