quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Damon Lindelof, Carlton Cuse, destino, livre arbítrio…

(Com SPOILERS!)

Os produtores executivos Damon Lindelof e Carlton Cuse deram uma ótima entrevista ao Chicago Tribune, falando do futuro imediato e distante de “Lost” - ou seja, até sobre a sexta temporada eles comentaram.

Aqui você confere (em inglês) a matéria na íntegra, postada também pelo DarkUfo; e separei abaixo os depoimentos mais interessantes da dupla:

“O porquê de tudo o que aconteceu é sempre a parte mais difícil do mistério de se lidar na série. Se você disser, ‘Locke disse a eles que tudo aconteceu por um motivo’, e se perguntar, ‘Bem, qual é esse motivo? Por que todas aquelas pessoas estavam naquele avião?’, saiba que obviamente esse assunto virá à tona. Provavelmente, muito disso será sugerido na quinta temporada, mas, ‘por que essas pessoas, por que essa época, por que esse local, por que aquele avião?’ é coisa para a sexta temporada“. (Damon Lindelof)“Parte das coisas ruins que aconteceram quando os Oceanic Six saíram da ilha serão reveladas nesta temporada, e outra parte na final. Mas é óbvio que o fato de a ilha ter sido movida por Ben deu início a uma cadeia de eventos, e essa cadeia tem consequências muito dramáticas. Esta é realmente uma questão muito importante para as pessoas que foram deixadas para trás na ilha: ‘O que diabos está acontecendo aqui e quais as consequências de a ilha ter se movido? O que isso significa para nós?’” (Carlton Cuse)

“Quando Ben disse que aquele que girar a roda não pode mais retornar à ilha, isso é uma regra ou uma lei? São coisas inteiramente diferentes. Uma diz basicamente que é impossível que ele volte à ilha, não importa o quão tente. A outra diz que ele pode voltar à ilha, mas se o fizer, será punido por isso” (Damon Lindelof)

“Baseado em tudo o que já foi mostrado até agora, sabemos que Ben e Widmore não se dão, e que Widmore quer controlar a ilha e acredita em que Ben tomou a ilha dele. Não se entende o contexto dessa afirmação. Você não sabe como foi o passado deles e a relação dos dois. Então, se você considerar que há o lado de Ben e o de Widmore, eu diria: ‘Bem, então de que lado estão os Oceanic Six? Os sobreviventes estão do seu próprio lado?

Basicamente, os dois lados que importam em toda grande trama épica são o bem e o mal. Quem são os mocinhos e quem são os vilões? E por muito tempo Ben Linus se identificou como um cara do bem, mas já o vimos tomar atitudes e comportamentos que nos levam a acreditar que isso não é inteiramente verdade. A única questão que importa é: ‘O que é definitivamente uma força do bem e o que é definitivamente uma do mal, e em que lado disso nossos personagens irão parar? Será que alguns irão para um lado, e outros para o outro?‘” (Damon Lindelof)

“Penso que o público ainda não se dedicou a ver quem Charles Widmore realmente é, mas quando isso acontecer, creio que vão achá-lo cada vez mais intrigante. Ele é muito importante para essa temporada” (Carlton Cuse)

“Vivemos entre dar ao público um certo número de informações para não deixá-lo confuso e pular fora, e não lhe dar informações demais, para que os espectadores não pensem, ‘Bem, vocês me deram tudo o que queria saber na quinta temporada. Então, por que ver a sexta?” (Damon Lindelof)

* * *

Imagino que nem todos os sobreviventes devam mesmo ficar de um mesmo lado quando a série acabar. Agora, saber o certo e o errado nessa história toda, e perceber que essa ambiguidade que nos acompanha desde o comecinho de “Lost” seguirá conosco até o fim é no mínimo empolgante, pois nos sugere que, desde o começo da trama, os produtores e roteiristas já sabiam realmente - ou tinham uma noção segura - de onde queriam nos levar.

Ainda sobre antagonismos, outra bela disputa que temos na série é a do destino contra o livre arbítrio. Sobre a questão do retorno de Ben à ilha, pra mim é claro: se fosse realmente impossível o seu retorno, ele não perderia tempo e energia tentando; mas agora que Lindelof levantou a bola, bom é imaginar que tipo de “reação” por parte da ilha a volta de Ben pode - ou melhor, poderá - causar…

E sem fugir do assunto, para mim Lindelof reforçou em definitivo o “Tudo acontece por um motivo” de John Locke. Aí a pergunta é outra: seriam forças “terrenas” as causadoras de tudo ou elementos ainda mais intrigantes, superiores, metafísicos? Ou os dois?

São questionamentos nada elementares como esses, nascidos em um seriado ao mesmo tempo tão incrivelmente lúdico, que fazem “Lost” ser tão especial e única. E preparem-se, pois eles só se multiplicarão com esse quinto ano.

Fonte: Lost In Lost - Por Carlos Alexandre Monteiro

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