(Com SPOILERS! para quem não viu o quarto episódio da quinta temporada)
“Você fez isso a si mesma” (Dan Norton)
“Eu tenho que fazê-los voltarem, mesmo que isso me mate” (Locke)
“Ben está do nosso lado” (Jack)
“O único lado de que ele está é do seu próprio” (Sayid)
“Você poderia ter dito a si próprio para fazer as coisas de um jeito diferente. Pouparia muita dor” (Sawyer)
“Eu precisava daquela dor. Me trouxe aonde estou agora” (Locke)
“Eu nunca tinha estado aqui até duas semanas atrás!” (Miles)
“Você tem certeza disso?” (Faraday)
“O que está feito, está feito” (Sawyer)
“Olá, Jin. Eu sou Danielle. Danielle Rousseau” (Rousseau)
Primeiro vieram os sustos… e depois, “The Little Prince”. Ao contrário do que pudesse inicialmente sugerir, o novo episódio da quinta temporada de “Lost” não teve Aaron como personagem central - apesar de o garoto ser um elemento importante na história -nem qualquer outro; mas em compensação teve um elemento permeando todas as ações: o medo.
Na ilha e fora dela, aos poucos, o temor cerca todos, manifestando-se de diversas formas. Junto ao grupo que ficou para trás, por exemplo, se apresenta no mal sofrido por Charlotte, que ganha contornos apavorantes não só por seus sintomas cada vez mais críticos como (e especialmente) por não ser mais um distúrbio exclusivo dela. A desorientação é tamanha que faltam até incertezas; e a única solução apontada por Locke é mais intuída do que fundamentada. É mais fé do que razão.
Tal como a grave perda de consciência após um simples sangramento nasal, as desnorteadoras viagens no tempo se mostram como manifestações ainda mais crueis do medo através de uma novidade: antes, eles iam ao antigamente; agora, visitam também o ontem. Claro que Locke respeita a dor sofrida na escotilha como parte do homem que é hoje, mas sem dúvida ao ver a luz da escotilha houve também o receio de saber o que aconteceria ao encontrar consigo. E Sawyer? É possível dizer que somente vendo uma realidade que viveu é que ele percebeu a ameaça real de se reviver o passado. Ironicamente, o golpista tornou-se vítima fácil do dilema do tempo, que o impediu de falar com Kate ao mesmo tempo que se impôs como a provável única chance de revê-la. Medo e tristeza, lado a lado.
De tão presente, o medo chegou até mesmo a surgir de braços dados com o alívio - e foi no resgate de Jin. Sem sequer ter conseguido se refazer do susto de ter escapado de uma morte iminente, o coreano foi jogado de sopetão no improvável pesadelo do regresso. Solitário. A 16 anos de seu tempo. Salvo, sim; mas são…
Fora da ilha, foi o temor fabricado por Ben que levou Kate a se reencontrar com Jack e que impediu Hurley de estar ali com eles naquele cais; foi o medo - envelhecido, transformado em paranoia assumida - que livrou Sayid de ser vitimado pelo falso enfermeiro… Mas, acima de todos, é a ameaça plantada em Jack por Jeremy Bentham a maior manifestação de medo, a que promove alianças improváveis, conduz a atos extremos - como o que Sun parece estar prestes a cometer - e que, ironia das boas, pode acabar salvando todos ali.
Acabou-se a introdução à nova fase da história. Com “The Little Prince”, percebemos que os saltos no tempo, grande surpresa do início da temporada, deixaram de ser sustos para se confirmarem como o perigo grave que até então nos era mais anunciado do que real e que enfim se mostra como tal, para nós e para eles, a ponto de justificar o sacrifício de Locke, a união de Jack e Ben, o fim da paz momentânea de Kate. Chega de espanto: agora é a vez do terror verdadeiro dar as caras naquele estranho lugar citado apenas como a ilha mas que, em muito breve, será chamado de morte.
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Os franceses, as canoas, Claire, Carole, Dan Norton… São vários os assuntos a serem abordados na nova edição do podcast Lost in Lost, por aqui ainda nesta sexta!
Fonte: Lost In Lost - Por Carlos Alexandre Monteiro
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