(Com SPOILERS! para quem não viu o episódio oito da quinta temporada)
- “Não há mais flashes. O disco está girando novamente” (Faraday)
- “Só membros da Iniciativa Dharma podem ficar aqui. E, com todo o respeito, Jim, vocês não são adequados para a Dharma” (Horace Goodspeed)
- “O nome dele era John Locke, e ainda estou esperando que ele volte. E aí? Ainda pensa que sou da Iniciativa Dharma?” (Sawyer)
- “Só faz três anos que ele morreu, Jim. É tempo suficiente para alguém superar um outro amor?” (Horace Goodspeed)
- “Você realmente acha que vai convencê-los de que somos náufragos?” (Miles)
- “Sou um profissional” (Sawyer)
Se há uma coisa sobre James Ford que aprendemos após quatro temporadas e meia de “Lost” é a de que ele é um homem sem apego à sua história. Não só porque não há muito do que se orgulhar dela, mas porque ela mal existe. Profissional da mentira, como mesmo se identificou para Miles, desde que sua vida fora destruída por um golpista Ford meio que desistiu de si para viver outras pessoas; e ao ser diversas, na verdade nunca foi nenhuma.
Diante da realidade de que, na ilha, todos ganharam uma segunda chance - como um tal Locke certo dia disse -, Ford um dia tentou se agarrar a ela. Para isso, despiu-se de Sawyer, de todas as camadas de maquiagem e das peças que sempre compuseram seu disfarce diante dos demais. Foi numa cama Dharma, ao lado de uma mulher a quem disse que amava. A ela, propôs uma nova vida, naquela mesma ilha. E não foi daquela vez que Ford conseguiu seu objetivo - talvez, uma meta ainda maior do que a de dar cabo do homem que arrasou sua história.
Em “LaFleur” mais uma vez as incríveis e ironias de “Lost” se anunciaram. Quando John Locke consegue cessar os saltos no tempo, mas involuntariamente prende seus companheiros três décadas atrás, o que era para ser desespero acabou se descortinando para Sawyer como a chance de, enfim, escrever a vida de Ford como tal. E ainda sobre sutilezas, a oportunidade começou a se construir a partir de uma nova persona. E o que era inicialmente mentira mostrou-se ser um caminho meio torto para a nudez de qualquer personagem que James Ford tenha incorporado. Um novo personagem que lhe faz revelar sua identidade secreta.
Enquanto até então Sawyer parecia ter a necessidade ou encontrava motivos para nunca revelar sua boa essência, no distante ano de 1977 isso se esquece. Em “LaFleur”, Sawyer é feliz como nunca. Sorri como nunca. Aconselha. Consola. Na série em que os nomes têm peso e significado, passou a se chamar flor. Ainda guarda alguma rabugice, mas não como parte da mentira que um dia lhe camuflou. E exerce junto a Juliet os sentimentos que, um dia, havia guardado para a mulher de quem diz mal se lembrar do rosto - pedaço do que talvez seja a última mentira grave que tenha sobrado em seu repertório.
Por isso mesmo, por trás do inesperado reencontro da última cena há uma escolha: seguir abraçando o passado da ilha como seu futuro ou revisitar seu passado e deixar-se buscar um futuro de incertezas e de algumas possibilidades pouco felizes. E diante de Jack, Hurley e, sobretudo, Kate, lá está James Ford, na estranha equidistância entre Sawyer e LaFleur que o destino lhe preparou. Saber qual deles irá abraçar é algo que só o passado dirá.
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Richard Alpert, Amy, a estátua, Charlotte, mais Sawyer… Atrações do próximo podcast Lost in Lost. Aguardem!
Fonte: Lost In Lost - Por Carlos Alexandre Monteiro
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