quinta-feira, 11 de março de 2010

“Dr. Linus”- Nunca é tarde

(Com SPOILERS! para quem não viu o episódio)

“Jacob foi a coisa mais próxima de um pai que eu já tive” (Ilana)
“No fim das contas, a ilha te pegou no fim” (Linus)
“Eu devotei um tempo que você sequer pode imaginar a um homem que dizia que tudo acontecia por um motivo; ele disse que tinha um plano do qual eu fazia parte e que, no momento oportuno, ele compartilharia comigo. Mas agora ele se foi. Por que quero morrer? Porque descobri que minha vida toda foi sem propósito” (Alpert)

“Eu escolhi a ilha em vez de salvar minha filha. Tudo em nome de Jacob. Eu sacrifiquei tudo por ele… e ele sequer ligou” (Ben)
“Até o momento em que a faca entrou em seu coração, ele esperava estar errado sobre você. Eu acho que ele não estava” (Miles)

Até que ponto de sua vida um homem pode se arrepender de suas escolhas, por piores que sejam? O sétimo episódio da derradeira fase de “Lost” se faz assim: um homem, dois caminhos e seus rumos tortos, modificados…reajustados.

No mais novo round de um antigo e clássico embate da série, “Dr. Linus” se traduz numa vitória acachapante do livre arbítrio sobre o destino. Lá está o escolher insistentemente conjugado, jogando aos holofotes um frequente maniqueísmo nosso: o de, em situações de desespero e falta de fé, nos lançarmos em direção ao certo ou ao errado, sem meios termos nem equilíbrios budistas.

Em ocorrências semelhantes, lá estão Benjamin Linus e Richard Alpert. Convivendo com fantasmas convertidos em fardos. Renúncias que levaram a perdas que lhes tiraram o chão. E se Alpert segue sendo uma incógnita, Ben nos parecia já lido e determinado como o sociopata ativo, de olhar expressivo mas assustadoramente vazio como o espaço em que deveria guardar sentimentos nobres. Porém, trata-se de “Lost”, de ser humano… e de redenção.

Em vez do tiro e da fuga, Ben optou pelo mea culpa e pelo perdão que não espera ser acatado. Diante de Ilana, despiu-se para se enxergar como nós mesmos o vimos por todo esse tempo. O que viu era horrendo; e o lugar ao lado do Homem de Preto não só era o único vislumbrado como lhe parecia merecido – a carência que abraça o carma; e o carinho que esperava de Jacob, recebe numa fagulha dispersada por quem o amava.

Quando baixaram-se as armas, as nossas já estavam recolhidas há tempos, por conta da confissão sincera de um homem sem amanhã e pelo conhecimento de um outro que conseguiu abrir mão das tentações fáceis por um inesperado altruísmo.

Estes dois homens nos inclinam a perdoar Benjamin Linus, e a duvidar de Alpert em seu breve parecer sobre a perda total da essência de um menino mortalmente baleado. Pensando bem, talvez não tenha sido a escolha a vencer de fato, mas sim o bem que não se perdeu. Se há a dúvida, que se ponha de lado para admirarmos um homem que destruiu, lutou, corrompeu, matou e morreu para enfim conseguir o verdadeiro progresso.

***

Arzt, Alex, Black Rock, Miles, Frank… e uma grande ironia para cima do Homem de Preto. E Widmore, claro! O Podcast Lost in Lost #90 – #90! – em fase de produção. Nada de perder, certo?

Fonte: Lost In Lost - Por Carlos Alexandre Monteiro

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