quinta-feira, 22 de abril de 2010

“The Last Recruit” – Alguém Não Foge à Luta

(Com SPOILERS! para quem não viu o episódio)

“John Locke não era um crente. Era um otário” (Homem de Preto)
“Quer queira ou não, você está com ele agora” (Claire)
“É muito bom ter todos juntos novamente” (Homem de Preto)
“Bem… Aí vamos nós” (Homem de Preto)
“Quando ela quiser saber o que você precisou fazer para tê-la de volta, o que você irá dizer?” (Desmond)
“Não se preocupe. Tudo vai ficar ok. Você está comigo agora” (Homem de Preto)

“Fomos trazidos para fazer algo, James. E se aquela coisa quer que a gente saia, talvez seja porque ela teme o que possa acontecer se nós ficarmos” (Jack)

É tão inevitável quanto a frase: a hora do grande conflito chegou. Sim, já vimos explosões, troca de tiros e um monstro de fumaça carregando mercenários pelo ar; mas o sentimento que temos é que todos os envolvidos sabem que, agora, a história é diferente… e mais grave. Lembro daquele papo que os mais velhos adoram repetir, de que é na mesa do jogo que vemos quem são as pessoas; mas podemos dizer o mesmo da situação em que se encontram os personagens – e não estou falando apenas de índole e de caráter.

Se na realidade paralela “The Last Recruit” começou a fazer a costura definitiva unindo as histórias individuais dos losties, em suas reviravoltas e acontecimentos na ilha provoca uma reflexão sobre o verdadeiro sentido de tudo aquilo. Resumindo, é um episódio que, explosões e armas apontadas à parte, promove novamente a velha discussão de fins e meios junto a alguns dos envolvidos nestes momentos que já se anunciam finais.

Por exemplo, rendido por Ilana, Sayid não teve escolha nem razão própria para estar ali; agora, tem um motivo para querer sair, mas somente quando está prestes a cometer um ato completamente covarde é que se questiona – ou parece se questionar – se está disposto a carregar mais um fantasma em sua sacola já repleta deles; já Kate, fugitiva por instinto, se viu novamente diante de Claire e da possibilidade de partir de um pesadelo sem cumprir a promessa de uma vida. Tudo bem que o destino deu uma ajuda, mas… Bom, quem acredita que Kate conseguiria realmente sair da ilha sem Claire? Fato é que a própria Claire, lembrada da razão pela qual Kate ali está, acabou por honrar o sacrifício dela.

E, claro, ainda tivemos mais um round de Jack x Sawyer, revivendo desta vez (e de certa forma) o embate entre ciência e fé. O pragmático Sawyer não vê nada à sua frente além do desejo instintivo de fugir da ilha – ou melhor, de Juliet; e, no outro canto do ringue, Jack, a exemplo de Desmond, se apoia num equilíbrio que lhe faz não ver sentido em ter medo, e assim insiste em não fugir do conflito. A diferença é a de que, se Desmond não tenta escapar do destino por parecer saber o que virá, Jack ainda é refém desta resposta.

Assim, num apelo aos sentidos de Sawyer, Jack tenta convencê-lo a perceber o verdadeiro papel e valor que cabe aos candidatos; e uma vez malsucedido, parte para uma versão solo da expedição mais importante que já se engajou, motivado por saber demais que, se a Ilha não terminou com eles, deixá-la não é uma opção – pelo menos não agora.

Lá está Jack Shephard, aplicando sua velha teimosia na busca pela verdade e pelo sentido. Só não se sabe se, ao encontrá-los, terá as armas de que precisa para lutar ou se serão as bandeiras conquistadas após a luta. Não importa: uma vez fardado, sabe que a resposta não lhe tardará.

***

Jin e Sun, Widmore, Claire e Kate, Hurley e…? Bem, Hurley. Podcast Lost in Lost vem aí!

Fonte: Lost In Lost - Por Carlos Alexandre Monteiro

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